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Certidão de Nascimento da Ubíqua 14.março.2008

Posted by Tarcízio Silva in Ubíqua.
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Recorramos ao Aurélio: Ubíquo [Do adv. lat. ubique , “em toda parte”]. Que está ao mesmo tempo em toda a parte. Imaginem, agora, uma série de pessoas, fatos e fenômenos totalmente ubíquos que são pouco ou nada noticiados pela cobertura jornalística e, portanto, estão fora da pauta de discussões da sociedade. Pois é, estamos falando do tratamento ainda restrito, superficial e, por vezes, moralista dado por grande parte dos veículos de comunicação do Brasil (a Bahia não é exceção) aos assuntos e fatos que envolvem e/ou interessam aos GLBT (só pra lembrar: gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais).

Com pouca variação, os GLBT figuram nas mídias eletrônicas e impressas de grande e médio porte como personagens de episódios específicos: casos de homofobia, paradas gays… As questões políticas e econômicas de interesse direto dos GLBT (como, por exemplo, aquelas referentes aos direitos constitucionais ainda negados a eles) não estão na agenda dos telejornais, jornais e revistas. As notícias sobre GLBTT, quando há, são, geralmente, carentes de aprofundamento, análise e informação, quando não são categoricamente carregadas de equívocos, deformações e preconceitos.

As poucas revistas especializadas direcionadas ao público GLBT são, quase todas, produtos que priorizam publicidade e/ou entretenimento em detrimento da informação, da apuração e da tentativa de uma máxima objetividade jornalística possível. Mesmo na G Magazine e na DOM (mais novo produto nessa área), reportagens e análises que tocam em questões essenciais para os GLBT disputam espaço com a produção erótica e a publicidade de grifes e points da classe média-alta do Sudeste.

As razões são as mais diversas, mas giram, sobretudo, em torno dos interesses de mercado; além do mais, as empresas de comunicação hesitam quando tocam em questões ainda controversas que circulam no que eles chamam de “opinião pública”.

A Ubíqua nasce como uma pretensão (no bom sentido) de tentar fazer uma revista especializada, que jogue luz sobre questões e abordagens relacionadas a um universo que ainda precisa ser iluminado. Mais que uma revista feita EXCLUSIVAMENTE PARA GLBT, será um revista SOBRE O UNIVERSO TEMÁTICO E HUMANO GLBT. Universo, diga-se de passagem, que não é disjunto do universo não-GLBT, mas que, claro, tem as suas especificidades.

Afinal, acreditamos que é possível fazer um jornalismo que prime pela seriedade e pela objetividade máxima possível em se tratando das temáticas desse universo, que não seja através da prática do “jornalismo do bem”, do panfletarismo e até do dogmatismo de parte dos movimentos GLBT. É possível, sim, falar de pessoas e assuntos específicos sem endereçar demasiadamente para um público-alvo segmentado: a informação é, ou deveria ser, ubíqua, ao alcance de todos, inclusive daqueles que não se sentem diretamente representados ou beneficiados por ela.

por Cadu Oliveira e Tarcízio Silva